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A análise é uma surpresa que não é surpresa


Já teve momentos em análise que se deparou com uma história que parece não ter nada a ver com aquilo que seu analisando está falando? Sabe aquele momento em que a pessoa traz uma fala que parece que veio do nada e que não parece ter sentido algum naquele momento? Pois é! Será que ela não tem mesmo?


Na clínica, vamos ter momentos em que os analisandos falam coisas que nem mesmo eles percebem, mas que, para quem está analisando, é extremamente importante perceber o motivo daquela fala surgir. O que acontece é que o analisando usa de metáforas, como já conversamos em um texto anterior, e estas metáforas substituem algo que deveria ser dito mas não é.


Esta fala dispersa do analisando pode estar tendo a mesma função de esconder alguma coisa, desviar sua própria atenção ou mesmo de causar uma reação diferente ou mudar de assunto. Ela pode não parecer se conectar com nada. Mas na verdade, tem tudo a ver. Estas palavras dispersas precisam ser pensadas porque foram ditas. Numa sessão de análise, é sempre bom entender o que estará vindo na sequência dessa fala que não tem conexão, pois a fala seguinte sempre tem conexão com a fala anterior. É uma sequência de fatos e palavras que se juntam. Logo, existe um porquê destas palavras sem sentido serem ditas.


Na psicanálise, costumamos dizer que nada é por acaso. Nada acontecer por acontecer. Sempre tem uma razão, mesmo que não explicada, para ocorrer. Uma palavra não é dita à toa. Ela vem porque deveria vir, especialmente quando vem do inconsciente e passa das barreiras do Ego (até deixo uma pergunta - será que ato falho existe?).


Portanto, a análise é uma surpresa que não é uma surpresa, pois nada é por acaso. Nada é dito por bobeira. Tudo é trazido porque tem uma razão para ser trazido, portanto nada é surpresa, mesmo aquilo que é surpresa.

Se em algum momento seu analisando disser algo que parece não fazer sentido, pergunte a ele o motivo de ter dito aquilo. Normalmente, os analisandos dizem que não saber nem mesmo o que aquilo quer dizer, mas ao ser questionado, alguma coisa nova aparece.


Perguntar é a principal ferramenta do analista! Questione, com aquela pergunta que sempre mexe com os analisandos "O que isso significa para você?".

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