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A psicanálise é amoral

Amoral?


Há sensível diferença entre ética, moral, imoral e amoral!


Para a filosofia e o senso comum a ética (regras) se relaciona a uma reflexão sobre a moral (conduta) de um certo grupo ou sociedade; a um acordo postulado, regras ao bem-viver nela; e a moral, por sua vez, é intrínseca ao sujeito, é dele, que caracteriza seu modo de agir (ou não), sentir, ser, para nesta sociedade (sobre) viver.

Assim, esta sociedade o julgará se ético (segue as regras), antiético (não segue), moral (se adequa, livremente a elas – as regras) ou imoral (não quer se adequar).


Eis a questão fulcral: por vezes há a incapacidade de o sujeito avaliar se algo é moral ou imoral; ou seja, pela incapacidade de definir sobre, considera-se aí o que é amoral: aquilo que se é incapaz de discernir ou que não se deve ou pode julgar!


“A psicanálise é amoral”, diz respeito, portanto, ao mais profundo contexto do significado de amoral, que é totalmente diferente de imoral!


Exalta-se a ética na psicanálise, em contraponto a como se encara - a ética - em outras áreas; já que na psicanálise é condição “sine qua non”, justamente, nunca impor qualquer tipo de julgamento de valor, regras, ou críticas no que tange a fala do analisante.


Jacques Lacan tornou-se fundamental nesta intrincada questão, ao expor um “caminho” muito claro na questão da ética no contexto psicanalítico: o “desejo do analista”, que nada mais é do que o desejo que a análise prossiga e que o paciente se confronte com sua própria verdade, desejos e tome suas decisões.


Deve-se assim compreender, portanto, que a psicanálise tem sua própria e essencial ética e é amoral (não julga)!


Marcos Castro

Psicanalista clínico, pesquisador, professor, escritor, palestrante.

Atendimento presencial e online

Contato Instagram: @marcos_castro_castro

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