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Análise é para todos?


Esta é uma pergunta que escutamos seguidamente. Autorizo-me a dizer que sim, ela é para todos, porém, nem todos estão preparados (e dispostos) para esta experiência. Uma sessão de análise se propõe a trabalhar conteúdos reprimidos e recalcados. Tudo aquilo que foi evitado e que, sem que se perceba, está conduzindo a vida do indivíduo. A análise revelará a origem de determinado trauma, comportamento ou pensamento. Colocará “frente a frente” com os maiores medos e angústias.


"E na grande maioria das vezes, este é um processo doloroso".

Existem fatores (por parte do analisando) que favoreceriam a realização de uma análise? Sim. Existem. Nasio, psiquiatra e psicanalista destaca alguns deles, os quais apresento algumas reflexões:

  1. O indivíduo necessita ter consciência de que sofre. Acredite, muitos sofrem e não sabem que sofrem. Ou então, o sofrimento é tão constante que já foi naturalizado e não se consegue mais viver sem ele.

  2. Este sofrimento necessita estar num nível difícil de suportar. Muitos têm clareza do sofrimento, mas conseguem “controlar” a tensão existente. É quando o conteúdo inconsciente tem uma carga psíquica intensa de expressão, que o indivíduo “cai” e não consegue mais conviver com a dor emocional.

  3. O indivíduo necessita estar num momento que se coloque a refletir/questionar sobre a origem deste sofrimento. É preciso estar aberto à reflexão. É necessário estar implicado com a origem daquela dor. É importante que haja o “desejo” por encontrar dentro de si, as respostas.

  4. O indivíduo precisa ter esperança de que o profissional que vai tratá-lo seja capaz de livrá-lo de seu sofrimento. Aqui entra a transferência inicial, tão importante para que o primeiro vínculo se constitua. Sem transferência, não existe análise.

Sem estes fatores, dificilmente ocorre a análise ou, mesmo que inicie, não se tem a abertura e o aprofundamento que são tão importantes para provocar as mudanças necessárias.


REFERÊNCIAS

NASIO, J.D. Sim, A psicanálise cura! Rio de Janeiro: Zahar, 2019.


Sobre o autor:


Fabrício Tavares

Psicanalista

Diretor da EPC



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